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Medicinas Não Convencionais -
Alimentação
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Escrito por Carlos Ventura
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Quarta, 02 Julho 2008 20:20 |
in revista O Segredo da Terra 2007 Primavera
OS PEQUENOS FRUTOS/AS BAGAS
Frutos
cujas sementes estão na polpa, sendo sensíveis quando os comemos, são principalmente
característicos das zonas mais frias, do norte da Europa, do Continente
Americano ou de Portugal, e por essa razão alguns não são comuns na nossa
alimentação. No geral, o seu preço não é dos mais acessíveis, mas as qualidades
nutricionais e gastronómicas são de tal forma elevadas que vale a pena não nos
esquecermos deles.
Incluídos
no grande grupo dos frutos ácidos, são excelentes fontes de antioxidantes.
Características
comuns: adstringentes quando consumidos verdes, ligeiramente laxativos se
consumidos maduros (o que é sem dúvida preferível); depurativos, diuréticos,
hipotensores e alcalinizantes do sangue; muito ricos em vitamina C e
flavonóides. Apesar de estes frutos actualmente se encontrarem no mercado oriundos
de produção agrícola, são tipicamente frutos silvestres e dessa condição
conservam a aureola, para isso contribuindo as suas cores vibrantes que se
destacam da vegetação circundante.
Após
serem colhidos, conservam-se durante poucos dias e a sua estrutura macia e
frágil aconselha cuidado no manuseamento.
Todos
estes frutos podem ser tomados em sumos de um só fruto ou integrados em sumos
mistos. Também ficam excelentes em saladas de frutas. No geral têm boa
componente de pectina (uma fibra solúvel), o que os leva a serem muito usados
em compotas e geleias. Encontramo-los integrados em receitas tradicionais em
diferentes países: tartes de amoras, queques de mirtilo, compota de groselha
acompanhando aves de caça... Além de tudo, são no geral de grande beleza e pode
tirar-se partido disso em receitas diversas.
Amora
(Morus nigra)- tanto as amoras da silva como as da amoreira são
extremamente comuns no nosso país, e muito apreciadas. A silva é originária da
Pérsia e as folhas são usadas em chá pelos seus efeitos antidiabéticos
(principalmente na região dos Balcãs). As folhas da amoreira são recomendadas
para problemas do aparelho respiratório e para a diarreia. O fruto é muito rico
em vitamina E.
A amora preta
está muito presente na arte popular, nos cantos e nos provérbios,
persistentemente associada a namorar. É interessante notar que o etimologista
José Pedro Machado associa o toponímico Moraria a amora (derivado do latim mõru e do grego moron).
Framboesa
(Rubus idoeus)- de cor vermelha, pensa-se que é originária da
Turquia e é citada na mitologia grega como alimento dos deuses. Encontra-se
em toda a Europa. Pode ser usada em estados febris e é boa para o sistema
imunológico. Usam-se o cozimento das folhas em lavagens e irrigações para
estomatites (inflamação da boca), anginas, vaginites, corrimento e úlceras.
Groselha
Vermelha (Ribes rubrum)- provavelmente oriunda do norte de França, encontra-se
nos bosques da Europa e é mais ácida que as outras bagas. Também é usada sob a
forma de xarope. É das mais ricas em vitamina C e é positiva para o sistema
imunológica.
Mirtilo
ou Arando (Vaccinium myrtillus)- é actualmente muito usado para favorecer a
saúde dos olhos. Apesar de nutricionalmente não ser das bagas mais ricas, têm
muita concentração de vitamina C. Muito usado em compotas e pastelaria. É usado
desde há séculos como antidiarreico.
Morango
(Fragaria vesca)- é enorme a diferença entre os morangos encontrados
no comércio comum cultivados em agricultura convencional e os obtidos em
agricultura biológica, especialmente se de sequeiro. Estes têm um perfume e um
sabor extraordinários. São boas fontes de silício e de magnésio e também usados
para o reumatismo e a gota (já Lineu afirmou ter-se curado da gota com uma
monodieta de morangos). A cura de morangos e alcachofra é recomendada contra o
colesterol. O chá das folhas e do rizoma é usado como diurético e adstringente.
Há quem apresente sensibilidade alérgica aos morangos. O seu uso é apreciado
desde a Pré-História. Encontra-se em todo o Portugal continental e insular e
também em Cabo Verde.
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