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Escrito por Carlos Ventura
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Segunda, 09 Junho 2008 19:54 |
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in revista Natural BeijaFlor 2005 agosto
Portugal é uma terra em que se come muito sal. O facto de termos uma fronteira marítima muito extensa e de sempre termos tido, entre as actividades determinantes para a nossa identidade, aquelas ligadas ao mar, contribuiu para que o sal fosse utilizado em abundância. Antes de estarem acessíveis sistemas de conservação actualmente comuns como a refrigeração ou a congelação, a salga era intensamente usada, tanto para as carnes como para os peixes. Acresce que as salinas portuguesas são famosas desde sempre e o seu sal reconhecido como de grande qualidade. O sal da foz do Sado era exportado para a Roma antiga e textos latinos gabam-lhe o sabor. Sabemos hoje que a existência de micro-algas o enriquecem e lhe conferem um bouqué especial. Tudo isto explica o nosso apetite pelo sal, que contribui para que sejamos dos povos mais afectados pela hipertensão e outros problemas circulatórios. Mas a comida pode continuar a ser saborosa com recurso a ervas aromáticas. A restauração colectiva tem nisto uma enorme responsabilidade. Com efeito, mesmo que em casa se mudem hábitos, as crianças começam desde o jardim de infância a ser submetidas nas cantinas ao excesso de sal e continuam no mesmo registo através do ensino secundário e do superior. Nas cantinas de empresas passa-se o mesmo e nos restaurantes é claro que também. Mas bastaria que no pão fosse reduzido o sal para que boa parte do problema ficasse menos grave. E não esqueçamos que os restaurantes naturais deveriam levar a sério esta questão, encontrando maneira de cortar com o sal. Afinal, os seus clientes também procuram saúde e este desafio vale a pena e precisa de ser vencido.
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