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Entrada Artigos Fitoterapia Hypericum-Milfurada
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Escrito por Miguel Boieiro
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Quarta, 20 Agosto 2008 16:51 |
Milfurada O "Hypericum perforatum L" é
planta de muitos nomes populares, entre os quais, hipericão, erva-de-São João e
milfurada. Destes, não uso o termo hipericão, para se não confundir com o
"Hypericum androsaemum L" que é o nosso endémico hipericão-do-Gerês.
Também não gosto do nome de
erva-de-São João, porque ele sugestiona a época da floração. Ora, entre nós, a
planta logra aparecer, já em Abril, no seu máximo desenvolvimento.
Trata-se de uma herbácea vivaz
muito frequente em terrenos incultos, taludes e pastagens soalheiras, com
folhas crivadas de pequenas pontuações translúcidas, os tais "mil furos" - daí,
milfurada.
Pertence à família das
hipericáceas e cresce geralmente em tufos de caules erectos, sendo indígena em
Portugal, incluindo Açores e Madeira. De resto, é comum em quase toda a Europa,
norte de África e América setentrional.
Identifica-se facilmente. Eis as
suas principais referências físicas:
Caules avermelhados, lisos,
angulosos e muito ramificados na parte superior, podendo atingir no auge da
floração, 80 cm de
altura.
Folhas opostas, sésseis, glaucas
na página inferior, com nervuras laterais algo salientes. Como já se relatou,
encontram-se salpicadas de numerosos orifícios que se observam melhor se
colocarmos as folhas contra a claridade.
Flores em panícula na parte
terminal dos ramos, de um amarelo dourado intenso, com odor débil e sabor
amargo. São polinizadas por insectos, havendo, em cada flor, órgãos
simultaneamente femininos e masculinos (hermafroditas).
Frutos formando cápsulas.
A milfurada não é esquisita e
medra tanto em terrenos ácidos, como em alcalinos, desde que sejam soalheiros.
Na sua constituição química
podemos encontrar óleo essencial, vitaminas C e P, flavonóides, glúcidos,
taninos e sobretudo, hipericinas. As hipericinas têm acção antimicrobiana e
anticancerígena. O óleo essencial e os taninos conferem-lhe uma acção
anti-séptica, adstringente e cicatrizante. Os flavonóides produzem um efeito
anti-inflamatório, vasoprotector capilar e antidepressivo.
Em suma, esta planta, há muito
considerada como medicinal, funciona como analgésica, anti-séptica,
antiespasmódica, colagoga, digestiva, diurética, expectorante, sedativa,
vulnerária, vermífuga, estimulante, etc.
Naturalmente que, perante tantas
propriedades, são quase infindáveis as suas aplicações fitoterápicas. Apontamos
apenas as principais: inflamações crónicas do estômago, fígado, vesícula e
rins, afecções ginecológicas, ansiedade, depressão, queimaduras, úlceras
cutâneas, enurese, ...e até sida.
Usa-se internamente o infuso das
sumidades floridas (30g para 1 litro
de água) ou o óleo (oleum hyperici), a partir da maceração das flores em
azeite, que se deixa ao sol durante 15 dias, agitando-o de tempos a tempos.
Este óleo é óptimo para as queimaduras, inclusive solares.
"Il Talismano della Medicina Naturale",
obra que comprei o ano passado em Veneza, indica também a milfurada como
coadjuvante da anorexia, da insónia, da impotência e da bronquite.
Acrescente-se, no entanto, que as
grávidas não devem ingerir o infuso, pois a milfurada parece possuir
características abortivas. Igualmente tem que haver cuidado com as pessoas
hipersensíveis à luz solar.
A terminar, convém ainda referir
o seu uso em homeopatia, na preparação de cosméticos e no fabrico de corantes
amarelos, castanhos e vermelhos.
Miguel Bioeiro
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Actualizado em Terça, 26 Agosto 2008 16:40 |
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