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Escrito por Carlos Ventura
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Segunda, 09 Junho 2008 19:38 |
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in revista Natural BeijaFlor 2005 julho
As resistências à chamada constituição europeia são evidentes e têm sido traduzidas em votos negativos, mas são o pretexto para a impessoalidade, a burocracia, a destruição das características nacionais e locais, traços desta União Europeia cada vez mais evidentes. Desde há muito que a destruição das fronteiras foi um sonho de sucessivas vanguardas e elites. Porém, esta Europa tem tiques de ultraliberalismo desumanizante. A Europa sem fronteiras tem vindo a ser construída em função dos interesses dos grandes grupos económicos transnacionais que sucessivamente vão deslocalizando as suas unidade de produção para regiões onde o trabalho não tem direitos e onde os salários de miséria permitem lucros sem freio, mas deixam à deriva populações europeias a cargo de um apoio social progressivamente falido e inseguro. A questão é que não se vislumbra uma alternativa ao modelo europeu. Este modelo de liberdade, de democracia, de objectivos ambientais, de coesão social, de herança iluminista, de separação de poderes é claramente sustentado pela esmagadora maioria da opinião pública. Ele continua a valer a pena, mas tem que ser repensado pela classe burocrática europeia. Sob pena de as votações - como já aconteceu em França, na Holanda, em Inglaterra - deitarem fora o bebé com a água suja do banho.
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